A NOVA ORDEM

27/06/2013 15:26

CONCEITO SEM REVOGA

(JOSÉ AUGUSTO)

Conflito de interpretação

Manifesto popular no Oriente Médio derruba governos. Na Europa, obriga governos ignorar políticas externas em detrimento das políticas locais. No Brasil, os movimentos populares ocorreu no embrião de inocência. Logo que iniciou, líderes da oposição imediatamente apontaram os motivos: “modelo arcaico, coisa de Dilma – Eu avisei, o povo acordou, Dilma cairá...” Mas quando perceberam que a propagação ganhou volume sem precedente partidarista, ou ideologia de política eleitoral, aí sim, os articuladores de idéias eleitoreira caíram em dormência profunda. “Ninguém sabia o que estava acontecendo; o povo não diz o que quer, é um exagero, as redes sociais precisa de limites – sorte deles!”

Se não fossem os incêndios aos carros da Rede Globo, SBT, Recorde e repórteres hostilizados, estariam ferrados...  Esses canais abandonaram a causa legítima do movimento e passaram a divulgar em escala superior os atos de vandalismo, atentados ao Patrimônio Público, depredação ao patrimônio privado, assaltos e pior ainda, propagaram a tese de possibilidades do abortamento da Copa das Confederações, ou até mesmo,  impedimento da realização da Copa do Mundo no Brasil. A Inglaterra, chegou até garantir que estaria preparada para realização do evento.

Fica a lição. No futuro, a mídia deve ser preservada e vista como aliada das causas legítimas – a angustia do povo. Mas a literatura estava ao lado do povo que se manifesta por causas justas. Já estava escrito por Carlos Araujo, o seguinte manifesto, circulando pela internet:  

LAMPIÃO MODERNO (http://www.alertatotal.net/2010/03/lampiao-moderno.html)

Alguém aí tem resposta
Pra pergunta que eu faço?
Lampião, rei do cangaço
Foi bandido ou foi herói?
Nem sei se esta é a questão,
Pois hoje a corrupção
Tem um punhal cangaceiro
Sem dó e sem piedade,
Sangrando a dignidade
De quem é bom brasileiro.

O Virgulino moderno
É bandido refinado:
Exibe carro importado,
Tem jatinho e muito mais.
A caneta é seu fuzil,
Com ela assalta o Brasil
Do jeito que sempre quis:
Feito cupim na madeira,
Fazendo uma buraqueira
Nas finanças do País.

Esse novo Virgulino
Não tem chapéu estrelado,
Não sabe dançar xaxado,
Nem canta Mulher Rendeira.
Ele não dorme no mato,
Ama o conforto e o bom trato.
E não agüenta repuxo:
Com seu dinheiro e malícia,
Quando foge da polícia,
Se esconde em hotel de luxo.

Não anda pelas caatingas,
Nem cruza moita de espinho,
Mas constrói o seu caminho
Com muito nome esquisito:
É fraude, é clientelismo,
É pilhagem, é nepotismo,
É propina, é malandragem.
Mas ele não se contenta:
A tudo isso acrescenta
A mentira e a rapinagem.

Quando chega a eleição,
Sendo ele candidato,
Promete roupa, sapato,
Dentadura, leite e lote.
Se tem amigo disposto
A sonegar o imposto,
Ele segura a peteca
Com uma frase canalha:
- Se eu vencer a batalha
Eu perdôo essa merreca!

No palanque faz de Deus
O seu cabo eleitoral,
Criando o clima ideal
À exploração da fé.
Seu discurso é de devoto,
Mas sua fé é o voto
Da humilde multidão
Que, inocente, se dobra:
Vira massa de manobra
Nas garras do Lampião.

O seu instinto perverso
É muito sofisticado:
Ele mata no atacado,
Quando desvia milhões
Em cada cheque que assina
O bandoleiro assassina
Gente em escala brutal.
De onde vem a matança?
Da falta de segurança,
De médico, hospital...

É direito da criança
Ensino de qualidade,
Mas dessa realidade
Pouca criança desfruta.
E quanto ao saneamento,
Não existe investimento
Neste importante setor,
Porque o nosso dinheiro
Vai parar no estrangeiro,
Na conta do malfeitor.

O cangaceiro de hoje
Tem site na Internet
E grava até em disquete
Os seus planos de ação.
Certo da impunidade,
Ele se sente à vontade
Pra dizer sem embaraço,
Justificando a orgia:
- Lampião nada fazia
Já eu roubo mas eu faço!

Penso até ser injustiça
Comparar o Virgulino
Lá do sertão nordestino
Com esses cabras de hoje.
Pois de uma coisa estou certo:
Lampião nem chega perto
Desses que, de forma vil
E com bastante requinte,
Saqueiam o contribuinte
Que ainda crê no Brasil.

Ah, capitão Virgulino,
Que andas fazendo agora?
Chega de tanta demora.
Sai dessa cova ligeiro,
Vem retomar teu reinado!
Anda logo, desgraçado,
Chama teus cabras de fama,
Traz Corisco e Ventania,
Quinta-Feira e Pontaria,
Tira o país dessa lama!

Chama Dadá, traz Maria,
Pra te dar inspiração,
Traz Canário e Azulão.
Onde andam Moita Brava,
Jararaca e Zé Sereno,
Que provaram do veneno
Da refrega sertaneja?
E Bem-Te-Vi, bom de briga,
Cantando a mesma cantiga,
Não vai fugir da peleja.

Não esquece Volta Seca,
Sabonete e Jitirana,
Que viravam caninana,
Nos instantes de combate.
Chama também Zé Baiano,
Pois entra ano e sai ano
E a coisa fica mais feia.
Já são muitos excluídos
E a culpa é de bandidos
Que precisam levar peia!


Anda logo, que o Brasil
Já se cansou do teu mito,
Ouve o apelo e o grito
Do povo deste país.
Mas cuidado, Capitão,
Cuidado com a mangação
Que pode ser um horror.
Já tem corrupto espalhando
Que, em formação de bando,

 

Lampião era amador!

 

Assim, os lampiões estão a solta. A caatinga (rede social) é um caminho aberto sem restrição. Não precisa vandalizar, basta fazer ecoar sua indignação. A voz do povo é o limite e políticos precisam se enquadrar.